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3/28/2004

Silêncio 

Preocupo-me com o silencio "blogiano"...
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1/02/2004

Para que o ano novo seja realmente NOVO 

O PECADO ORIGINAL

...Não foi querer comer o fruto da árvore da vida, isto é, não foi querer saber a verdade: foi antes a ausência disso mesmo. "O medo da liberdade leva ao elogio da escravidão" e o medo da sinceridade leva ao elogio da sacanice, do "saber viver", da "ESPERTEZA".
O medo do infantilismo , do Belo, do espontâneo, leva ao culto da "imagem social", da reputação, da "personalidade".
O medo de assumir o reprovado leva ao elogio do protótipo aceite. o medo de tentar leva a que as ideias feitas comandem a vida em vez de a vida ser fonte de ideias.




Fernando Cameira 1973
Escritos de Juventude e Outros
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10/17/2003

Amor e facturas 

Um homem sentia-se criança e gostava de se sentir assim. Enquanto pôde exerceu o seu direito a permanecer fiel aos seus princípios, aos seus ideais utópicos, ao seu gosto pelo prazer, pelo gozo. Era uma criança adulta, bem entendido, não um adulto infantil.
É certo que continuava a gostar de mimos, de fazer caretas, de fazer batuque com qualquer tipo de objectos, de ver desenhos animados, de se sentar no chão, de se sujar na terra, de ficar hipnotizado com o fogo. Mas esse era o aspecto menos importante da sua criancice. Esta evidenciava-se, sobretudo, na primazia que ele concedia às emoções sobre a razão, à utopia sobre o realismo político, ao prazer do momento sobre o medo do amanhã, ao dar mais valor ao amigo que ao orgulho do seu ego, ao não aceitar que as lógicas de coisas abstractas compostas por homens, desde empresas a nações, trouxesse sofrimento a esses mesmos homens.

Era tão criança que não percebia como os homens que detêm o poder estão de mãos atadas por uma complexidade de fenómenos e não podem resolver os graves problemas dos seus governados. Perguntava, ingenuamente, porque razão prometiam então sempre os governantes resolver os problemas se depois diziam sempre não ser isso possível. Não sabiam já, antes, que assim era? Então porque mentiam impunemente? E se não sabiam como podiam então prometer?

Esta introdução serve apenas para dar um breve perfil deste homem e melhor se perceber a história que verdadeiramente nos interessa e que se iniciou quando este indivíduo começou a navegar na Internet. Apercebendo-se da facilidade com que podia contactar com milhões de pessoas de todo o mundo, logo a sua mente infantil começou a conceber a facilidade com que poderia desencadear uma revolução mundial. No fundo, sem se querer igualar nas capacidades, ele poderia usar o meio poderoso que faltou aos grandes profetas do Amor, da Paz, da Espiritualidade, para os mesmos fins. Não iria fazer páginas idiotas sobre esses assuntos, que as pessoas não lêem. Não iria divulgar A Mensagem de forma estática como o fazem os cristãos com a Bíblia. Iria fazê-lo como o tal Jesus fez, em comícios, digressões e apostolado, levando a palavra às pessoas e não esperando que as pessoas viessem à palavra. Ora, que melhor instrumento que o correio electrónico, o Internet mail, os News groups, para tal fim? Que seria hoje o cristianismo, o Islão, o Budismo se os seus mentores tivessem ao seu dispor a Internet e a televisão?


Assim pensando, seguro da facilidade com que chegaria a uma grande parte da população mundial, começou a pesquisar endereços e enviar as suas mensagens revolucionárias de Amor para todo o mundo: pessoas individuais, empresas, governos, departamentos de investigação, Vaticano e organizações religiosas, associações de todo o tipo, seitas satânicas e piratas de informática. Já antevia os milhares de mensagens trocadas, as discussões acaloradas, as palavras de ordem, os governos em pânico, as demissões e eleições extraordinárias em todo o mundo, uma nova ordem mundial nascendo de baixo para cima de forma pacífica, pela palavra e não pelas armas.
Dias depois começou a receber respostas mas, contrariamente ao que esperava, um pouco desanimadoras. Primeiro por serem muito poucas, depois porque ou os correspondentes gozavam com os seus textos ou pediam-lhe, pura e simplesmente, que não lhes enchesse a mailbox com lixo. Apenas um punhado se mostrou receptivo mas, desses, poucos apresentavam ideias para colaborar. Uma só pessoa lhe respondeu em sintonia e lhe transmitiu novas ideias e propôs colaboração activa. Uma tal Lia, uma sul americana, da zona do lago Tiahuanaco e que, por isso, o homem passou a designar por Amiga do Lago. Um outro correspondente surgiu depois, João, que com uma linguagem muito simples lhe manifestou todo o seu apoio e se dispôs a trabalhar no projecto. Chamou-lhe João o Simples.

Mas o nosso herói não desanimou. Durante meses e meses escreveu mensagens apelando ao Amor, à Amizade entre os homens, à Greve Total de Mente Fechada a todas as actividades contrárias à felicidade humana. O que pretendia era para ele tão evidente, fácil e eficaz que não compreendia como não obtinha uma adesão mundial total. Tratava-se simplesmente de as pessoas se recusarem a participar ou por qualquer forma incentivar actividades que acarretassem infelicidade directa ou indirecta para alguém.
Durante cerca de dois anos, o Homem, a Amiga do Lago e João o Simples empenharam-se nesta utópica cruzada mundial. Trocavam ideias entre si, delineavam a estratégia dos próximos textos e desencadeavam as emissões massivas da chamada Guerrilha da Felicidade. Chamavam-se a si mesmos, por brincadeira, a Santíssima Trindade: Homem, Amizade, Simplicidade e defendiam ser esse um simbolismo do seu ideal da conquista da felicidade universal, em três fases: humanização do Homem, primazia da Amizade entre todos, Simplicidade nas aspirações.
Mas tudo o que recebiam em troca era a demonstração friamente inequívoca de que a sua mensagem não atingia a alma dos destinatários.

Houve, por fim, um triste momento em que, inevitavelmente, este homem-criança não conseguiu mais continuar a iludir-se e teve que aceitar que tinha perdido a guerra, com tudo o que isso implicou nas suas crenças mais profundas.
Reuniram-se os três, electronicamente, para fazerem uma última tentativa de perceber qual o erro: se seria de fundo ou apenas estratégico. Foi aí que João, o Simples, lhes confessou que sempre previra este final por uma razão… muito simples: que também eles próprios não estavam a aderir à Greve que propunham pela razão… muito simples… de que era impossível. Por exemplo… o simples… facto de enviarem maciçamente e-mails para todo o mundo contribuía nitidamente para o congestionamento da rede em certos pontos ou momentos, com consequentes prejuízos para muita gente, para quem a rapidez da informação é vital. E os seus próprios empregos, não contribuiriam para o desemprego noutros sectores ou para qualquer outra forma de infelicidade alheia?

Assim o homem-criança percebeu, finalmente, como a vida em sociedade é complexa. Afinal, teria que concordar com os homens-adultos, com o que sempre lhes ouvira dizer desde que era criança-criança: para uns estarem bem outros têm que estar mal.

Vencido mas não convencido, o Homem está agora a preparar o lançamento de uma nova campanha, sob a forma de puro desafio intelectual: um "brain storming" permanente, a nível mundial, por forma a constituir um Banco de Ideias para a resolução de todo o tipo de problemas que afligem a humanidade.
Neste momento procura patrocínios de todo o tipo de instituições de utilidade pública e outros agentes com algum poder, para conceder prémios monetários atractivos.


Desconhece-se em que pé estão as coisas.

É como diz o outro: "...mas as crianças, Senhor! Porque lhes dai tanta dor?
Porque padecem assim?"



Crônica retirada do livro É COMO DIZ O OUTRO por Fernando Cameira.
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9/27/2003

Agradecimento 

O Sérgio e eu gostaríamos de agradecer pela atenção que nos foi dada não só aos nossos amigos de longa data, mas aos novos também que nos trouxeram a alegria no momento mais difícil de nossas vidas ao falarem do nosso querido Fernando com tanto carinho e respeito.

Lia e Sérgio
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9/05/2003

FERNANDO CAMEIRA "O Universo do Artista" 

Fernando Cameira, faleceu no dia 3 de setembro, no entanto deixou-nos um universo como só ele poderia criar.
Deixou-nos a sua arte, deixou-me a lembrança do seu amor incondicional. Eu sinto-me mais forte que muita gente que nunca perdeu o "seu tudo" e que tenha a felicidade (muitas vezes ignorada) de chegar à velhice (porque velhice não é uma palavra ruim) com uma pessoa que pensou "aceitar". Porque do nosso tempo, que foi tão curto, foi aproveitado cada milésimo de segundo e dissemos EU TE AMO toda a vez que apeteceu. Foi pouco o tempo que tivemos com o Fernando, mas foi tempo topo de gama.
O Veneno Eficaz não se despede, pois não se pode dizer adeus a alguém como o Fernando..... a vida ficaria sem sentido.

Lia Cameira - esposa e discípula


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8/27/2003

nada a provar 

Nada a provar nada a negar. Pensar. Pode ser interessante ler mas muito também o experimentar. Pensar sem medo e reflectir sobre esses pensamentos, construir teses sem vergonha do que os outros pensem. Pode ser que se abram novas portas e outros mundos assomem…


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De que são feitos os sonhos? 


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comando 

Penso em árvores e pedras com uma alma que poderia residir numa espécie de consciência molecular. Poderia também incluir os animais. Não é uma ideia original mas continua a ser vista como mera curiosidade sem validação. Não defendo a ideia porque não posso defender o que não consigo minimamente comprovar. Mas, ultrapassando a estranheza do assunto por ser um conceito que não faz parte do nosso mundo realista, que tem de tão absurdo? Todos os seres organizados (animais e plantas) não são um conjunto de células especializadas e organizadas de modo a executarem tarefas específicas? Quem as comanda, quem as organiza? Quem lhes diz, em cada momento e situação o que fazer? O cérebro! Mas onde está o cérebro das plantas, por exemplo? E quem comanda o cérebro dos animais? Não é ele também uma conjunto de células especializadas e organizadas? E os automatismos de alguns dos nossos órgãos , como se explicam? E porque há células que desobedecem às ordens do cérebro (doenças, comportamentos involuntários, medos,…), como é isso possível se ele tudo comanda? Será mais extraordinário admitir um certo nível de inteligência molecular (e autonomia) do que fazer do cérebro um autêntico Deus a que nada escapa e que tudo explica? Porque, afinal… quem lhe conferiu esse papel uma vez que ele nem sequer fazia parte das primeiras formas de vida?

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Amanhecer auditivo  

O rural e o urbano são diferentes mas ambos belos. Assistir ao amanhecer na cama, adiando o momento de levantar, os olhos fechando e abrindo, os sons do novo dia entrando no quarto juntamente com o som da luz. Estar na rua, ver e ouvir como as coisas acordam e se espreguiçam. Nas aldeias há um despertar gradual, espaçado e suave feito dos cantos de galo, os primeiros cantos de pássaros, portas que se abrem rangendo, cães que ladram só para dizer “cá estou eu” , vozes isoladas e perfeitamente audíveis lá fora dando instruções de trabalho ou os primeiros bons-dias a quem já passa a caminho do seu terreno. Separando esses sons um silêncio claro e banhado do orvalho matinal. Rodas de carroça, cascos de burro ou rodados de tractor surgem por fim e o amanhecer está cumprido. Na cidade tudo é mais rápido e contudo , à medida da sua vida. Há também os cantos dos pássaros das árvores da praceta ou da rua, os choros dos bebés arrancados da cama a caminho dos infantários; as canalizações dos prédios dão sinal de que há gente em pé preparando-se para sair; as portas dos automóveis abrem e fecham, frases rápidas entre pais e filhos entrando no carro a caminho da escola. Rapidamente tudo isto deixa de ser audível, abafado pelo barulho dos motores em marcha. Carros, autocarros, burburinho de vozes de uma multidão que de repente vai invadindo as ruas. Gosto do pôr-do-sol mas não passa de uma imagem fugidia e silenciosa, um rápido momento entre dia e noite que nos pode passar despercebido. O amanhecer impõe-se, entra-nos pelos ouvidos e também pelos olhos, recebendo as subtis luminosidades que invadem os espaços ou adivinhando os movimentos lá fora. Com a manhã todos os fantasmas partem pois é o tempo dos homens, da respiração.
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8/26/2003

procuro 

Procuro coisas novas interessantes: novos autores, pensadores, músicos, realizadores. Está difícil. Ou fui eu que mudei? Ou já cansei de variações sobre os mesmos temas?

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